Será Cristiano Ronaldo um sobredotado?
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Durante muitos anos, a única medida que se utilizava para a detecção de alguém (normalmente criança) sobredotado era o Quociente de Inteligência. Indivíduos invulgares (uns 3 a 4% da Humanidade) podiam ultrapassar a fasquia dos 150/160 de Q.I. (o valor médio situa-se entre 90 e 110). A muitos génios da Arte e da Ciência tem-se atribuído quocientes superiores a 200.
A consciência de que há mais factores envolvidos na sobredotação do que apenas um elevado Q.I. intelectual, alterou o nosso entendimento sobre o tema. O indivíduo sobredotado já não é apenas aquele que em provas específicas de inteligência revela um valor acima de 130.
Hoje, entende-se que o indivíduo sobredotado, independentemente da idade e da cultura, pode exprimir-se em áreas que não são susceptíveis de ser medidas no espaço li
mitado de um gabinete de psicologia. Por exemplo: a criatividade, a liderança e o talento (para o canto, a música, o desporto, as artes plásticas, etc.) não podem ser medidos da mesma forma que o Q.I.
Cristiano Ronaldo, considerado o melhor jogador de futebol do mundo, é um bom exemplo dessa limitação. Será que o seu inegável talento físico/motor lhe confere o estatuto de sobredotado? E qual é o Q.I. do jogador? Quem tem autoridade para afirmar que Cristiano Ronaldo é ou não um sobredotado?
À luz dos mais recentes avanços científicos nesta matéria pode deduzir-se que o jogador é um atleta sobredotado na sua área específica: o futebol de ataque. Para o Instituto da Inteligência o sobredotado é a pessoa que reúne um conjunto de características que a elegem como Indivíduo de Elevado Potencial num ou mais domínios de reconhecido interesse social, cultural, científico, desportivo ou económico. Outros factores devem estar presentes: alta habilidade na sua área, rápida destreza mental, capacidade de persistência na tarefa, alto poder de concentração e interesse intenso na sua especialidade.
Que autoridade teremos então para afirmar que, como no caso de Cristiano Ronaldo, uma pessoa é sobredotada? Terá de ser avaliado através de testes? Sim, poderá ser sujeita a testes mas a matéria de informação mais importante é aquela que tem origem nos colegas de profissão, nos especialistas da sua área de trabalho e na própria opinião pública que a avalia em função das particularidades únicas demonstradas, do elevado desempenho e da persistência dos bons resultados.
Assim, tanto a sobredotação como o próprio talento podem ser aferidos mesmo sem necessidade dos vulgares testes de Q.I. pois estes observam sobretudo os factores cognitivos.
Obviamente, no caso de Cristiano Ronaldo, como no de muitos outros ao longo da história e em diferentes sectores da actividade humana, é natural que o atleta seja portador de um muito bom Q.I. pois para se ser um jogador de talento é de esperar que possua, além de alta habilidade corporal e motora, uma excelente inteligência analítica, criativa e executiva para poder, por exemplo, antever lances, prever a movimentação dos jogadores em campo e fazer uso de uma refinada percepção espacial.